A nova safra de soja começa a ganhar o campo em Mato Grosso do Sul com um cenário bem diferente daquele de algumas semanas atrás. O vazio sanitário termina nesta terça-feira, 15 de setembro, e a semeadura estará autorizada a partir de quarta-feira, dia 16.
E o mercado resolveu colocar um ingrediente importante nessa largada: preço.
Na última semana, a soja em Chicago chegou aos maiores níveis em três anos, embalada principalmente pela retomada das compras chinesas nos Estados Unidos e pela valorização do petróleo. A China adquiriu cerca de 1 milhão de toneladas de soja norte-americana em poucos dias, devolvendo força a um mercado que vinha procurando motivos para subir.
Mas é justamente aqui que o produtor precisa separar euforia de oportunidade.
Na sexta-feira, depois do relatório do USDA, Chicago devolveu parte da alta. Em Dourados, a referência da soja caiu de R$ 147 para R$ 145 por saca, mostrando como uma boa semana pode mudar de direção em poucas horas.
A conta está mais apertada
Em Mato Grosso do Sul, produzir um hectare de soja na safra 2026/27 está estimado em R$ 5.024,82. Considerando preço médio de R$ 119,52 por saca no estudo da Aprosoja/MS, são necessárias 42,04 sacas por hectare apenas para pagar o custo total da atividade. A produtividade de referência é de 52,4 sacas por hectare.
É uma margem que existe, mas não aceita descuido.
E talvez esse seja o ponto central desta safra: o produtor não precisa acertar o preço máximo; precisa evitar vender mal e produzir caro.
Chicago, dólar, China e prêmio vão continuar mexendo com a soja. O clima fará sua parte — para o bem ou para o mal. Dentro da porteira, porém, eficiência e planejamento continuam sendo decisões do produtor.
A soja entra novamente em campo como protagonista do agro sul-mato-grossense. Mas, em 2026/27, coragem não será simplesmente plantar.
Coragem será produzir bem, fazer conta e saber a hora de vender.
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