Com uma dívida que pode ultrapassar os R$ 51 milhões, o frigorífico Boibras, com sede em São Gabriel do Oeste, entrou com pedido de recuperação judicial para tentar renegociar dívidas, evitar falência e a demissão de 400 funcionários.
O juiz da Vara de Falências e Recuperações Judiciais de Campo Grande determinou uma perícia na documentação da empresa para decidir se recebe o pedido, o que já abre prazo de 180 dias para o grupo tentar equacionar os problemas financeiros.
Consta no processo, que as dificuldades financeiras se agravaram pela desvalorização na arroba do boi gordo, dificuldade para conseguir crédito devido à alta taxa de juros, demanda fraca pela carne vermelha que acabou ganhando força durante a pandemia de Covid-19 e continua se arrastando agora neste período pós-pandemia.
Além do frigorífico no interior, também integram o pedido o açougue Bigbeef, que funciona em Campo Grande, e a transportadora RC. No pedido levado à Justiça na semana passada, os advogados Lucas Gomes Mochi e Rodrigo Pimentel chegaram a requerer uma liminar para tentar evitar constrições ao patrimônio e valores das empresas desde já, entretanto o magistrado, José Henrique Neiva de Carvalho e Silva, pediu primeiro uma análise da situação financeira por peritos, a partir de dados contábeis, balanços e movimentações financeiras, o que está em curso.
Mochi informou que o pedido de recuperação é uma forma de a empresa ter um fôlego, “se reorganizar e continuar fluindo”. Ele apontou como situações que ajudaram a agravar a situação financeira a queda no preço da carne, a não concretização de plano do grupo exportar para a China e ainda a elevada taxa Selic, que prejudicou na renegociação de contratos. Também conforme o recurso, Boibras atua ramo de aquisição de gado bovino, beneficiamento e venda da carne in natura e processada, além dos subprodutos e derivados não comestíveis, no mercado interno e externo. São, pela definição clássica, diz seus donos, agroindústrias.
Também requer que seja concedido o benefício da justiça gratuita, isentando-a do pagamento das custas processuais ou, “subsidiariamente, seja deferido o parcelamento das referidas em 6 (seis) parcelas mensais e consecutivas”. Sindicatos que atuam em Campo Grande e também no interior foram procurados para saber se havia outros frigoríficos em crise, ou mesmo com atraso em pagamentos, o que poderia indicar dificuldade de quitar compromissos, mas não identificou situações problemáticas.
Livra a Boibras da falência?
Recuperação judicial, embora surgido para ajudar as empresas em crises financeiras, não quer dizer que as salva, por definitivo, da falência. Caso o plano de recuperação não der certo, isto é, se a empresa não conseguir cumprir as condições definidas judicialmente, o magistrado decretará a sua falência.
E se falir?
Conforme as normas nacionais, quando a falência é decretada e há uma sentença confirmando a incapacidade financeira do negócio arcar com seus compromissos, os bens da empresa serão catalogados e encaminhados para leilão.
O empresário ficará inabilitado de exercer outras atividades empresariais até que aconteça a finalização da sentença e pode depender de autorização judicial para acessar ou administrar bens. Já os funcionários serão considerados como demitidos sem justa causa. Assim, eles terão direito às verbas rescisórias e contam com preferência no momento de receber os pagamentos.
Matéria editada pelo Portal Agronosso, com trechos de reportagem produzida pelo site Compre Rural:
Leia mais em: https://www.comprerural.com/falencia-devendo-r-511-milhoes-frigorifico-pede-recuperacao-judicial/
Fonte/Créditos: www.comprerural.com.br - Portal Agronosso
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se