Campo Grande-MS, 23 de julho de 2025 – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta que a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos do agronegócio brasileiro nos Estados Unidos, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, pode reduzir em até US$ 5,8 bilhões as exportações ao mercado americano em 2025.
Com base nos US$ 12,1 bilhões exportados ao longo de 2024, a CNA projeta uma retração de 48% nos volumes embarcados, decorrente da elasticidade dos preços de importação, que se elevariam na mesma proporção da nova alíquota.
Setores mais impactados
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Suco de laranja, açúcar e madeira poderão zerar as exportações ao aplicabilidade da tarifa foi considerada "impeditiva".
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Etanol e sebo bovino devem sofrer quedas expressivas de 71% e 50%, respectivamente.
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Carne bovina e açúcar de cana projetam perda de aproximadamente 33%. Já café verde apresenta menor sensibilidade, com queda estimada em 25% .
Elasticidade e competitividade
A análise da CNA levou em consideração a elasticidade das importações americanas nos últimos cinco anos, revelando que muitos produtos brasileiros apresentam sensibilidade maior que ‑1, o que reforça a magnitude do impacto tarifário. Como resultado, os preços para importadores seriam diretamente repassados, tornando os produtos brasileiros menos competitivos no mercado dos EUA.
Reação à medida
Empresas exportadoras, como as de sucos do Vale do São Francisco, começam a repensar a logística — muitas analisam manter navios atracados ou cancelar viagens já agendadas para agosto. Fruticultores também manifestam preocupação com multas contratuais e renda perdida.
Estratégia da CNA
A entidade recomenda que o Brasil esgote todos os canais diplomáticos antes de adotar medidas retaliatórias. A defesa de instrumentos como o PL 2088/2023 (PL da Reciprocidade) só deve ocorrer após tentativas de negociação
Fonte/Créditos: Portal Agronosso

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