A Comunicação Ignorada: O Calcanhar de Aquiles do Agronegócio em Mato Grosso do Sul
Campo Grande-MS - O agronegócio brasileiro, notadamente o de Mato Grosso do Sul, navega em águas de bonança econômica, atraindo cifras bilionárias em investimentos para segmentos como celulose, etanol de milho e cana, e minério. Contudo, essa pujança contrasta com uma lacuna persistente e perigosa: a subestimação da comunicação estratégica. A ausência de uma voz ativa e coordenada tem permitido que o setor seja alvo fácil de desinformação, fake news e ideologias que distorcem fatos, comprometendo sua imagem e, em última instância, sua sustentabilidade.
Em um cenário onde a sociedade urbana está cada vez mais distante da realidade do campo, a comunicação eficaz se torna um pilar fundamental para desmistificar o agronegócio, demonstrar sua relevância econômica, social e ambiental, e reverter críticas sem fundamento. É por meio de uma estratégia robusta que se educa o cidadão comum, combate-se preconceitos e se constrói uma ponte de entendimento entre o produtor e o consumidor final. No entanto, o que se observa é uma retração do próprio setor em investir nos canais tradicionais de comunicação, abrindo espaço para que adversários, e até concorrentes internacionais, preencham esse vácuo com narrativas muitas vezes tendenciosas em sites de notícias, emissoras de TV aberta e rádios.

O Paradoxo do Investimento e a Mídia Especializada
O paradoxo é evidente. Enquanto Mato Grosso do Sul se consolida como um polo de atração de grandes indústrias — cujos investimentos são inegavelmente beneficiados pela pujança do agronegócio local —, essas mesmas companhias raramente direcionam verbas de publicidade para veículos de comunicação especializados no setor. Priorizam, na maioria das vezes, canais que não possuem engajamento direto ou histórico de apoio ao agronegócio, ignorando veículos que atuam na linha de frente, informando, defendendo e mostrando a realidade do campo sul-mato-grossense.
"Lutamos muitas vezes sem apoio, sem condições de fazer investimentos, enquanto observamos que o setor, por si só, luta sem sincronia e sem ser ouvido", pondera o diretor da Rede Agronosso. Essa falta de coesão e voz unificada se manifesta em pautas cruciais, como o endividamento rural, a alta dos insumos, os custos de produção, a escassez de armazenamento, a infraestrutura de transportes e até mesmo os desafios impostos pelo clima. Se o setor se unisse e investisse em uma estratégia de comunicação clara e objetiva, o agronegócio seria efetivamente ouvido, e poucos aventureiros políticos se atreveriam a dizer que representam o setor sem ao menos defender uma agenda concreta ou ter poder de concretizar leis.

O agro de Mato Grosso do Sul, sem dúvida, comunica, mas não da forma mais eficaz ou estratégica. Como ressalta o diretor da Rede Agronosso, as empresas do agronegócio precisam urgentemente repensar suas estratégias de comunicação e marketing. "Uma imagem verdadeira sobre o setor será sempre importante", afirma ele, "inclusive para que a própria sociedade esteja ao lado do setor em momentos difíceis e também nos bons momentos."
É fundamental que pequenas, médias e grandes empresas e indústrias do agro compreendam que o investimento em comunicação não é um gasto, mas uma salvaguarda. Uma estratégia bem delineada e o apoio a veículos que verdadeiramente representam e informam sobre o agronegócio são essenciais para construir uma imagem sólida e duradoura, capaz de resistir a ataques e consolidar o apoio da sociedade. Ignorar essa frente é deixar o flanco exposto em uma batalha cada vez mais acirrada pela verdade e pela percepção pública.
Fonte/Créditos: Portal Agronosso

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