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Dólar tem maior alta em 6 meses e fecha acima de R$5,30 com aumento da tensão eleitoral

DÓLAR INICIA A SEMANA REGISTRA A MAIOR ALTA NO COMPARADO AOS ULTIMOS 6 MESES.

Dólar tem maior alta em 6 meses e fecha acima de R$5,30 com aumento da tensão eleitoral
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SÃO PAULO (Reuters) - O dólar disparou acima de 5,30 reais nesta segunda-feira, com o aumento das tensões políticas no Brasil na reta final da corrida eleitoral presidencial exacerbando movimento externo de busca pela moeda norte-americana em meio a preocupações com a saúde econômica da China.

A moeda norte-americana à vista fechou em alta de 2,94%, a 5,3012 reais, maior valorização diária desde 22 de abril passado (+4,07%) e patamar de encerramento mais alto desde segunda-feira passada (5,3014 reais). O real teve, de longe, o pior desempenho entre uma cesta das principais divisas globais nesta sessão.

O dólar negociado no mercado interbancário voltou a fechar acima de suas médias móveis lineares de 50 e 100 dias, depois de na última sessão, na sexta-feira, ter encerrado abaixo de ambas as marcas pela primeira vez em um mês.

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Na B3, às 17:22 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 2,67%, a 5,3085 reais.

Aumentando as tensões políticas antes da eleição de 30 de outubro, o ex-deputado federal Roberto Jefferson foi detido no domingo após receber com tiros e granadas agentes da Polícia Federal que cumpriam ordem de prisão dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Jefferson, aliado do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), foi indiciado nesta segunda-feira pela Polícia Federal por quatro tentativas de homicídio.

Ela disse acreditar que, apesar da reação ruim dos mercados, os acontecimentos do domingo não serão cruciais para a definição da eleição, já que provavelmente não terão efeito sobre os votos de eleitores já decididos.

Luccas Fiorelli, sócio fundador da HCI e planejador financeiro pela Planejar, também não viu grande impacto dos acontecimentos envolvendo Jefferson na corrida eleitoral, já que, em sua opinião, Bolsonaro já teve a oportunidade de desvencilhar sua imagem do ex-deputado.

"Está difícil você falar hoje se vai dar Lula, se vai dar Bolsonaro, porque está muito voto a voto, muita notícia de um lado, muita coisa do outro, então está um cabo de guerra bem acirrado", afirmou Fiorelli.

Já Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, notou claro impacto do noticiário político no mercado brasileiro nesta segunda-feira, mas afirmou que esperaria um ambiente de negócios cauteloso e volátil "de qualquer forma", mesmo sem os acontecimentos envolvendo Jefferson. "É mais porque finalmente chegou a semana" final de campanha eleitoral, afirmou o especialista, alertando para manutenção de ambiente instável ao longo dos próximos dias.

Na semana passada, várias pesquisas de intenção de voto mostraram crescimento de Bolsonaro nas sondagens, o que forneceu impulso ao real e ao Ibovespa no período.

A agenda econômica do atual presidente é vista como muito mais amigável aos mercados quando comparada à de Lula. No entanto, economistas têm alertado que ambos os candidatos ao Planalto podem precisar flexibilizar as regras fiscais do país no ano que vem caso sejam eleitos, de forma a cumprir promessas de gastos feitas durante suas respectivas campanhas.

Embora tenha sido amplificada no Brasil pelas tensões locais, a alta do dólar não foi isolada, com um índice que compara a divisa norte-americana a seis pares fortes ganhando 0,14% nesta tarde. Ao mesmo tempo, várias moedas emergentes ou sensíveis às commodities apresentaram forte queda no dia, com peso chileno, rand sul-africano, dólar australiano e iuan chinês perdendo de 1% a 1,7%.

Investidores mostraram nesta segunda-feira alguma preocupação com a economia da China, que, embora tenha se recuperado mais do que o esperado no terceiro trimestre, ainda enfrenta desafios em várias frentes, como uma crise imobiliária cada vez mais profunda e os riscos de recessão global.

Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, disse que também pesou a perspectiva de manutenção da política rígida de combate à Covid-19 na China, que foi reafirmada no fim de semana durante o Congresso do Partido Comunista do país.

Fonte/Créditos: NOTÍCIAS AGRÍCOLAS

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