A oferta limitada de boi gordo nas principais praças pecuárias do país tem gerado dificuldades crescentes para os frigoríficos na formação das escalas de abate, contribuindo para um cenário de valorização da arroba. A avaliação é da consultoria Agrifatto, que aponta para uma conjuntura sustentada por três vetores principais: a firme demanda doméstica, o avanço das exportações — sobretudo para a China — e a desvalorização cambial.
Segundo os analistas, a combinação desses fatores configura um cenário de sustentação dos preços no curto e médio prazo. “A valorização contínua da carne no mercado interno, aliada ao câmbio favorável e à expansão das vendas externas, deve manter a arroba em trajetória ascendente”, destaca a Agrifatto.
Escalas curtas e pressão nas praças
Na segunda semana de abril, as escalas de abate no Brasil encerraram com média de apenas seis dias úteis, reflexo direto da baixa disponibilidade de animais prontos para o abate. Entre os destaques regionais, Rondônia registrou recuo expressivo de três dias úteis, fechando a semana com sete dias de programação. Minas Gerais reduziu suas escalas em dois dias, alcançando cinco dias úteis. Já Mato Grosso e Paraná encerraram o período com queda de um dia útil, também com cinco dias programados.
Na contramão, Goiás foi a única praça com avanço, adicionando um dia útil à sua escala, totalizando sete dias. Nas demais regiões, não houve variações significativas, de acordo com o levantamento da consultoria.
Atacado segue aquecido
No atacado paulista, a comercialização de carne bovina desossada segue aquecida, com aumentos tanto em volume quanto em preço. A maior procura levou os frigoríficos e distribuidores a programarem entregas para além da segunda quinzena de abril, com perspectiva de consumo elevado em datas como o Dia das Mães.
Esse movimento tem impulsionado os preços das principais categorias de corte. Na comparação semanal, o patinho e a paleta subiram R$ 0,50/kg; contrafilé e acém tiveram alta de R$ 1,00/kg; o lagarto avançou R$ 1,50/kg e a picanha apresentou o maior ajuste, com valorização de R$ 2,00/kg. “Com o mercado fluindo bem, os estoques se mantêm em níveis medianos”, relata a Agrifatto.
Boi futuro cede após sequência de altas
Apesar do ambiente positivo nos fundamentos, o mercado futuro interrompeu a sequência de valorizações na B3. Os contratos com vencimento em maio/25 encerraram o pregão da quinta-feira (10) cotados a R$ 332,20 por arroba, queda de 1,48% em relação ao dia anterior. A correção ocorre após uma série de altas nos primeiros dias da semana, refletindo ajustes pontuais diante da valorização acumulada.
Fonte/Créditos: Portal Agronosso
Créditos (Imagem de capa): Imagens de divulgação Internet

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