Publicado em: 29/04/2025 | Por Redação Agronosso | Dourados (MS)
Avanço do Plantio nos EUA e Preferência Chinesa pela Soja Brasileira Mudam o Jogo
As cotações da soja e do milho caíram fortemente na Bolsa de Chicago nesta terça-feira. O recuo foi puxado por dois movimentos de peso: o avanço mais rápido do que o esperado do plantio norte-americano e a sinalização pública da China de que irá priorizar a compra da soja brasileira nos próximos meses.
Soja Julho/25: US$ 10,52/bushel (queda de 9,75 pontos)
Milho Maio/25: US$ 4,60/bushel (queda de 15 pontos)
Com isso, o mercado já projeta um descolamento entre Chicago e os prêmios pagos no Brasil — cenário que favorece o produtor nacional.
Geopolítica, Guerra Tarifária e o Ritmo Chinês
Segundo o analista Fernando Pimentel, da Agrométrica, os desdobramentos da guerra tarifária entre EUA e China continuam afetando o comportamento do mercado. “Trump precisa de resultados rápidos para as eleições de 2026. Já os chineses, com sua cultura de planejamento milenar e estabilidade política, não têm pressa”, afirma.
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Rota Bioceânica e o Novo Papel Logístico do Brasil
Durante apresentação à comitiva chinesa na Sociedade Nacional da Agricultura, Pimentel destacou as vantagens estratégicas da Rota Bioceânica. O corredor encurtará em até 17 dias o tempo de entrega entre Mato Grosso do Sul e o mercado asiático, cruzando Paraguai, Argentina e chegando ao porto chileno de Antofagasta.
Essa nova logística não apenas reduz custos, mas também diminui a dependência do Canal do Panamá — ponto de tensão logística para a China.
Descolamento com Chicago: Nova Precificação para o Hemisfério Sul
Com a demanda chinesa fora dos EUA, o Brasil tende a ganhar espaço no fornecimento global. “Chicago já não reflete mais os fundamentos do nosso mercado. Os prêmios de exportação devem continuar fortes, especialmente se o impasse entre China e EUA se estender”, analisa Pimentel.
Segundo ele, o produtor brasileiro precisa observar o mercado com cautela e optar por vendas distribuídas, evitando uma exposição excessiva ao risco político e à volatilidade internacional.
Risco e Oportunidade: Como Agir na Comercialização da Safra 25/26?
A recomendação do especialista é clara: o momento exige atenção estratégica. “Adiar vendas pode trazer ganhos, mas também riscos. Se houver um acordo entre EUA e China, com inclusão de cotas para o agro americano, os prêmios podem cair”, alerta.
Por outro lado, se o impasse continuar, o Brasil, Argentina e Paraguai consolidam protagonismo no fornecimento global.
Conclusão: O Tempo Está ao Lado do Produtor Brasileiro
O atual cenário geopolítico favorece o Brasil. A soja brasileira está em evidência, com fundamentos sólidos, logística mais eficiente e uma demanda crescente da Ásia.
Fique atento aos movimentos de curto prazo, mas prepare-se para um ciclo de médio prazo em que o agro brasileiro terá papel central na segurança alimentar global.
Fonte/Créditos: Redação: Portal Agronosso

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