O mês de setembro terminou amargo para quem produz milho no Brasil. Os preços futuros do cereal na B3 recuaram até 6,13 % no período, refletindo a pressão de uma safra abundante nos Estados Unidos e um relatório de estoques acima do esperado. Para o agricultor brasileiro, a queda reforça o dilema: vender agora com margens mais estreitas ou segurar parte da produção, apostando em prêmios melhores.
Pressão externa: safra cheia nos EUA
A colheita americana avança em ritmo acelerado, com quase 20 % já retirados dos campos. Somado a isso, os estoques trimestrais vieram mais altos do que o mercado projetava. O resultado foi imediato: Chicago registrou baixas em todos os vencimentos, contaminando também o mercado brasileiro.
Reflexo direto no Brasil
Na B3, os vencimentos mais próximos sentiram o impacto com força: novembro caiu 6,13 % e janeiro recuou 4,94 %. No mercado físico, embora algumas praças tenham mostrado estabilidade, a referência nos portos recuou, reduzindo ainda mais a atratividade da exportação.
Para o produtor, a equação é clara: a queda nos preços contrasta com custos de produção ainda elevados. Isso limita a margem de lucro e torna cada decisão de venda mais estratégica.
Logística cara, exportação lenta
O Brasil segue competitivo no mercado internacional, mas enfrenta dois obstáculos: frete caro e demora na abertura das janelas de exportação. Para muitos produtores, especialmente no Centro-Oeste, a opção tem sido segurar o produto no armazém, evitando fechar negócio a preços que mal cobrem os custos.
Etanol como válvula de escape
A boa notícia para o campo vem do consumo interno. A demanda das usinas de etanol à base de milho, especialmente em Mato Grosso, tem sustentado prêmios que superam a paridade de exportação. Isso garante um fôlego ao produtor que opta por direcionar parte do cereal ao mercado doméstico.
Ainda assim, analistas avaliam que, sem esse apoio do setor de biocombustíveis, as cotações estariam em patamares ainda mais baixos.
O que esperar
Com os EUA colocando volume no mercado e os estoques locais mais altos, o desafio do produtor brasileiro será administrar o ritmo de comercialização. A estratégia deve combinar paciência e atenção às oportunidades de prêmio interno, já que a exportação tende a caminhar de forma mais lenta.
Para o agricultor, a leitura é simples: 2025 será um ano em que eficiência e timing farão a diferença entre fechar a safra no azul ou ver a renda do campo escorrer junto com as cotações internacionais.
Fonte/Créditos: Redação Portal Agronosso
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