Os contratos futuros do milho encerraram o pregão de terça-feira (19) em direções opostas nas principais bolsas de referência. Enquanto a perspectiva de uma safra volumosa nos Estados Unidos pressionou as cotações em Chicago, o cenário doméstico foi sustentado pela valorização do dólar, garantindo ganhos na B3.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o dia foi de perdas, com o mercado ainda refletindo os fundamentos de oferta robusta. O vencimento para setembro recuou 3,25 pontos, cotado a US$ 3,79 por bushel, e o contrato de dezembro, referência para a safra americana, cedeu 3,50 pontos, a US$ 4,03 por bushel.
Segundo analistas, o principal vetor de baixa reside na ampla oferta de grãos esperada nos EUA. As expectativas vêm sendo corroboradas pelos dados preliminares do Pro Farmer Crop Tour, que percorre o cinturão produtor nesta semana. Relatos de lavouras em Ohio, Dakota do Sul, Indiana e Nebraska apontam para produtividades elevadas, superiores às registradas no ciclo anterior. Adicionalmente, as condições climáticas favoráveis para a finalização da safra americana permanecem no radar dos operadores. Um fator que limita quedas mais acentuadas na bolsa americana é a demanda ainda aquecida pelo cereal norte-americano.
Em contrapartida, no mercado brasileiro, o cenário foi de otimismo. Na B3, os contratos futuros registraram valorização entre 0,2% e 1,4% nos vencimentos de maior liquidez. O contrato para setembro fechou o dia em R$ 66,21 a saca, enquanto o vencimento para janeiro de 2026 encerrou a R$ 71,45.
O principal driver para o movimento de alta foi a valorização do dólar frente ao real, que torna o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional. Fontes do mercado apontam que o ritmo dos embarques do cereal brasileiro tem ganhado tração e, embora as projeções de exportação para o ciclo ainda sejam conservadoras, a percepção dos agentes tem melhorado.
A expectativa agora se volta para o final da semana, quando serão consolidados os dados nacionais do Pro Farmer Crop Tour. A confirmação de uma safra de grande porte nos EUA tem potencial para ditar o humor dos investidores e definir a direção dos preços no curto prazo, podendo ampliar a pressão sobre Chicago e testar a resiliência das cotações no Brasil.
Fonte/Créditos: Portal Agronosso

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