A disponibilidade doméstica de carne suína segue enxuta, um reflexo do excelente ritmo das exportações. Conforme a Safras & Mercado, os embarques devem superar 115 mil toneladas em junho, um volume robusto impulsionado pela diversificação de destinos. A China, embora ainda seja o segundo principal importador da carne suína brasileira, reduziu suas compras. Em contrapartida, as Filipinas assumiram a liderança, intensificando suas aquisições em 5,7% em 2025 devido a desafios internos com a peste suína africana.
As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), compiladas pela HN Agro, indicam um crescimento de 2,2% na produção brasileira de carne suína em 2025, atingindo 4,6 milhões de toneladas em equivalente carcaça. Este avanço contrasta com a leve retração esperada para a China, maior produtora global. No primeiro trimestre de 2025, o abate de suínos no Brasil registrou o melhor resultado da série histórica desde 1997, com um aumento de 230,99 mil cabeças em relação ao ano anterior, mesmo com o setor buscando uma desaceleração para manter a oferta equilibrada.
Rentabilidade e Desafios
A relação de troca favorável com o milho e o farelo de soja tem impulsionado a rentabilidade do suinocultor. De acordo com o Cepea, o aumento do preço do suíno vivo e a queda nos custos dos insumos resultaram em um cenário mais positivo. O levantamento do Itaú BBA aponta uma queda de 3% nos custos da suinocultura, enquanto os preços do animal vivo avançaram 1% no primeiro semestre. Produtores estão aproveitando o cenário para estocar milho e garantir margens até o fim do ano.
Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios. A Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS) alerta os suinocultores para não segurarem os animais nas granjas à espera de preços mais altos, o que poderia comprometer o ganho de peso e gerar excesso de oferta em julho.
No âmbito externo, a escalada de tensões no Oriente Médio já impacta o custo dos adubos nitrogenados, insumos essenciais para o milho. Em Santa Catarina, por exemplo, produtores consideram migrar áreas do milho para a soja, que demanda menos fertilizante, o que pode agravar o déficit de produção interna de milho no estado, um elo crucial para as cadeias de suínos, aves e leite.
Demanda Interna e Concorrência
No mercado interno, o consumo de carne suína deve crescer 1% em 2025, superando 3 milhões de toneladas, segundo o USDA. No entanto, a proteína enfrenta forte concorrência da carne de frango, mais acessível, e da carne bovina, que apresenta preços mais atrativos que no passado.
Apesar da concorrência e das dinâmicas globais, a sanidade do rebanho brasileiro, sem casos de Peste Suína Africana há décadas, reforça a competitividade do país no cenário internacional. As exportações brasileiras de carne suína devem crescer 4,5% em 2025, totalizando 1,6 milhão de toneladas, superando outros grandes exportadores como Estados Unidos e União Europeia.
Fonte/Créditos: Portal Agronosso

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