Com R$ 30 milhões, indústria de amendoim reforça industrialização e projeta Mato Grosso do Sul no mercado externo
A decisão da MS Grãos Nuts de investir R$ 30 milhões na instalação de uma indústria de beneficiamento de amendoim em Nova Alvorada do Sul não representa apenas mais um anúncio empresarial. O movimento evidencia uma mudança silenciosa — porém estratégica — no posicionamento do agronegócio sul-mato-grossense: sair da dependência de mercados intermediários e avançar na agregação de valor dentro do próprio Estado.
A unidade, com previsão de gerar 60 empregos diretos, terá foco na exportação, no processamento do grão e na diversificação de produtos derivados. O projeto foi apresentado à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com a presença do secretário Jaime Verruck e da equipe econômica do governo estadual, além dos empresários Alexandra Cogo e José Antônio Cogo Jr.
A empresa já iniciou a terraplanagem em área cedida pela prefeitura local. Além do beneficiamento, secagem e branqueamento do amendoim, a planta industrial prevê produção de ração animal, sementes certificadas, extração e refino de óleo vegetal e comercialização de cereais in natura e industrializados. A estratégia inclui a compra de matéria-prima de terceiros, numa tentativa clara de criar escala e estabilidade de oferta — um ponto sensível para cadeias em expansão.
Segundo Verruck, a industrialização passa a ser o eixo central do crescimento do segmento. O Estado ainda envia parte relevante da produção para processamento fora de Mato Grosso do Sul, o que limita a captura de valor. A chegada da indústria sinaliza um ajuste de rota: manter a riqueza gerada no campo dentro das fronteiras locais.
Exportação no radar — e uma pauta que já vinha sendo antecipada
O projeto nasce com orientação explícita para o mercado internacional. Parte da produção será destinada ao consumo interno, mas a estrutura logística foi desenhada para exportações, ampliando o alcance do produto sul-mato-grossense.
Esse movimento não surge de forma isolada. O Programa Agronosso e o Portal Agronosso já vinham destacando o avanço da cultura do amendoim no Estado e apontando oportunidades comerciais, inclusive com possibilidades de exportação para os Estados Unidos. A consolidação de uma base industrial reforça a tese de que o amendoim pode deixar de ser apenas uma alternativa agronômica para assumir papel estratégico na pauta exportadora regional.
A provocação que emerge no setor é direta: se a produção cresce e a demanda internacional se mantém firme, por que ainda exportar valor agregado para outros Estados?
Produção em expansão e diversificação agrícola
Mato Grosso do Sul consolidou-se como o segundo maior produtor nacional de amendoim, atrás apenas de São Paulo. Na safra 2023/2024, a produção estadual superou 170 mil toneladas, impulsionada pela expansão em áreas de renovação de canaviais e pela adoção crescente de tecnologia no manejo.
Municípios como Nova Alvorada do Sul, Rio Brilhante, Maracaju e Dourados concentram boa parte da produção. A expectativa é de crescimento de cerca de 6% na área plantada neste ciclo, superando 46 mil hectares cultivados.
O avanço da cultura reforça uma tendência mais ampla: a diversificação agrícola como estratégia de mitigação de riscos e aumento de rentabilidade. Em um ambiente de volatilidade de preços das commodities tradicionais, culturas com maior valor agregado passam a ganhar espaço nas decisões do produtor.
Agricultura familiar e integração da cadeia
Durante a apresentação do projeto, também foi discutida a inclusão da agricultura familiar na cadeia do amendoim, em parceria com a Agraer. A proposta busca ampliar a base produtiva e estimular novos perfis de produtores, conectando pequenos e médios agricultores a uma cadeia industrial em expansão.
Como parte da estratégia de fortalecimento do setor, a MS Grãos Nuts realizará no dia 20 de fevereiro um Dia de Campo na Fazenda Capão Alto, em Rio Brilhante, com foco em manejo, tecnologias de produção e demonstrações de colheita.
A mensagem implícita do investimento vai além dos números anunciados. O amendoim deixa de ser visto apenas como cultura complementar e passa a ocupar espaço em decisões estratégicas do agro regional. A pergunta que fica no ar — e que deve provocar debates nos próximos ciclos — é se Mato Grosso do Sul está diante de uma nova commodity regional ou apenas do início de uma cadeia ainda em construção.
Fonte/Créditos: Redação Portal Agronosso/Comunicação SEMADESC
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se