No prazo de 30 dias, o preço do boi gordo “comum” (direcionado, sobretudo, ao mercado doméstico) subiu R$ 47/@ em São Paulo, saltando de R$ 250/@, em 11/9, para R$ 297/@ (nesta sexta-feira, 11/10, valor a prazo, bruto), segundo cálculos feitos pelo Portal DBO a partir dos dados apurados diariamente pela Scot Consultoria.
Considerando a mesma base de comparação e a mesma praça paulista, a vaca gorda, a novilha gorda e o “boi-China” (abatido mais jovem, com idade de até 30 meses) registraram acréscimo de R$ 40/@, R$ 45/@ e (também) R$ 45/@, respectivamente.
“A oferta de boiadas segue reduzida e a ponta vendedora, buscando preços maiores, tem cadenciado o máximo possível a entrega dos lote, fazendo com que as indústrias ofertem mais pela arroba para completarem as escalas de abate”, justifica a Scot Consultoria.
Pelos cálculos da Scot, desde o começo de outubro/24, as programações dos frigoríficos paulistas ficaram ainda mais curtas, atendendo, hoje, em média, a seis dias.
Segundo a Agrifatto, a atual conjuntura do mercado brasileiro do boi gordo indica que, mesmo com aumentos diários nos preços, a oferta de gado terminado continua limitada.
“É importante monitorar as condições do mercado para entender se isso é um fenômeno passageiro ou se indica uma tendência mais prolongada”, observa a consultoria.
O zootecnista Rodrigo e Mundo, analista da Scot, lembra que já há negócios sendo fechados com a arroba do boi gordo “comum” cotada a R$ 300 – em praças do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Rodrigo destaca os fundamentos altistas do mercado: “A oferta de fêmeas destinadas ao abate está mais enxuta, as chuvas ainda não retomaram de maneira contundente no Brasil-Central e a demanda (pela carne bovina), principalmente interna, deverá se fortalecer, especialmente com a proximidade das festividades de final de ano”.
Para o curto prazo, alerta ele, é importante atenção à saída do segundo giro do confinamento, “que pode moderar o movimento de alta, mas não deve exercer pressão de baixa”.
No segmento de exportação, setembro/24 marcou o melhor mês da história, com 251,7 mil toneladas embarcadas de carne bovina brasileira, superando o recorde de julho/24.
Outubro começou em ritmo semelhante, com uma média diária de 9,9 mil toneladas, representando um crescimento de 12,4% em relação à média do mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Secex.
Varejo/atacado
No mercado de carne bovina, as negociações desta semana com distribuidores, charqueadas e processadoras da proteína desossada foram marcadas por uma significativa redução na oferta de produtos com ossos pelos frigoríficos, informa a Agrifatto.
“Tal cenário é resultado direto da escassez de animais prontos para abate, quadro que provocou um aumento expressivo no valor da arroba, diminuição no volume de abates e, consequentemente, uma queda na produção de carne”, relata a consultoria.
Diante disso, observou-se um ajuste positivo generalizado nos preços da carne, afetando tanto os produtos para consumo direto quanto os destinados à industrialização.
“Os aumentos, que variaram de medianos a elevados, são um claro indicativo da nova realidade do mercado”, observa a Agrifatto.
Numa análise final, continua a consultoria, a constatação é de que praticamente todo o volume de carne disponível foi comercializado, com as vendas para o setor atacadista oscilando entre razoáveis e boas.
“É importante observar que o mercado de carne com ossos no atacado tenha experimentado oito semanas consecutivas de alta e repassado esses aumentos para o consumidor final”, acrescenta a Agrifatto.
Ao adentrar a segunda quinzena de outubro/24, tradicionalmente caracterizada por baixo apelo de consumo (devido ao menor poder aquisitivo da população brasileira), “o cenário se torna ainda mais desafiador”, afirmam os analistas da Agrifatto.
“Agora, as atenções se voltam para as negociações da próxima quinta-feira (17/10)”, antecipa a consultoria, acrescentando que a “expectativa predominante é de estabilidade nos preços da carne bovina, embora com frágil sustentação”.
Preços dos animais terminados apurados pela Agrifatto na sexta-feira (11/10):
São Paulo — O “boi comum” vale R$295,00 a arroba. O “boi China”, R$295,00. Média de R$295,00. Vaca a R$265,00. Novilha a R$275,00. Escalas de abates de oito dias;
Mato Grosso do Sul — O “boi comum” vale R$285,00 a arroba. O “boi China”,R$285,00. Média de R$285,00. Vaca a R$265,00. Novilha a R$275,00. Escalas de seis dias;
Fonte/Créditos: Portal DBO

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