A última semana de outubro segue marcada por novas quedas dos preços no mercado do boi gordo em São Paulo e em boa parte das praças pecuárias, informa zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria.
“A pressão na negociação da carne bovina enviada à China, maior consumidor da proteína brasileira, tirou o ímpeto comprador das indústrias, que têm trabalhado com ajustes de escalas e redução nos abates”, relata Fabbri.
Diante desta nova conjuntura, o preço do boi destinado ao mercado interno na praça paulista caiu R$ 5/@ ao longo desta semana, negociado a R$ 275/@, de acordo com a Scot.
Para o “boi-China”, os negócios têm operado em torno de R$ 280/@ no mercado paulista.
“O preço do bovino destinado à China está pressionado e, em algumas unidades frigoríficas, já não existe o ágio com o bovino de mercado interno”, informa Fabbri, que acrescenta: “Isso se deve ao endurecimento chinês nas tratativas comerciais”.
Do lado da demanda por carne, diz o analista da Scot, apesar da China seguir “dura na queda” com relação às negociações da carne destinada ao País, as exportações vão bem.
“Em outubro/22, até a terceira semana, 142,7 mil toneladas foram embarcadas e, na toada atual, caminhamos para o melhor outubro da história em termos de embarques”, projeta Fabbri.
No entanto, com uma demanda enfraquecida pelo avanço da segunda quinzena, as vendas de carne bovina para o mercado interno seguem frias e os preços no atacado e varejo caíram ao longo desta semana, informa a Scot.
Na avaliação do analista, a estratégia de redução de abates pela ponta compradora tem ganhado força. “Em curto prazo, o preço do boi deve seguir lateralizado, sem descartar novos recuos, deixando no retrovisor os R$ 300/@ pago ao pecuarista em um passado recente”, observa Fabbri.
Nesta quinta-feira, 27 de outubro, a arroba do boi gordo paulista registrou estabilidade após semana conturbada no mercado pecuário brasileiro, por conta da pressão chinesa.
Na avaliação de Fabbri, a estabilidade no mercado do boi gordo ocorre devido aos feriados nas próximas semanas (2 e 15 de novembro), uma vez que a ponta compradora acaba por estender a escala de abate até o final desse período.
Dessa forma, o boi gordo paulista está cotado em R$ 275/@, a vaca gorda em R$ 260/@ e a novilha gorda em R$ 269/@, preços brutos e a prazo, segundo apurou a Scot.
O “boi-China” está valendo R$ 280/@ (preço bruto e a prazo), porém, são observados alguns negócios abaixo da referência, relata a Scot.
Segundo a Scot Consultoria, no decorrer da semana, o referencial CEPEA/B3, que serve de base para formação de muitos contratos de boi a termo, derreteu juntamente com os futuros do boi gordo.
“Além das indústrias frigoríficas manterem condições confortáveis quanto a programação de animais em suas escalas de abate, não há sinais, no curtíssimo prazo, de recuperação diante da maior entrada de lotes do segundo giro de confinamento”, ressalta a IHS.
Desta forma, continua a consultoria, a pressão baixista imposta pela fraca demanda por animais prontos para abate já afeta as negociações de boiada a termo para o resto do ano.
Na B3, os contratos com vencimento em outubro/22, novembro/22 e dezembro/22 estão operando abaixo dos R$ 290/@, com destaque para o vencimento de novembro/22, que, que nesta quinta-feira, operava abaixo de R$ 280/@.
No mercado atacadista, diz a IHS, os preços dos principais cortes da carne bovina permanecem inalterados.
Apesar da procura baixa e do fraco apetite da demanda, as cotações não dão sinais de quedas mais acentuadas, informa a consultoria.
Cotações máximas de machos e fêmeas nesta quinta-feira, 27/10
(Fonte: IHS Markit)
SP-Noroeste:
boi a R$ 280/@ (prazo)
vaca a R$ 266/@ (prazo)
MS-Dourados:
boi a R$ 266/@ (à vista)
vaca a R$ 248/@ (à vista)
MS-C.Grande:
boi a R$ 263/@ (prazo)
vaca a R$ 251/@ (prazo)
MS-Três Lagoas:
boi a R$ 261/@ (prazo)
vaca a R$ 243/@ (prazo)
Fonte/Créditos: PORTAL DBO
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