Por Marcello Franchi
A amostragem de solo é uma prática essencial para agricultores que desejam otimizar a fertilidade do solo e, consequentemente, aumentar a rentabilidade e produtividade das lavouras. Este artigo apresenta um guia passo a passo para a correta coleta de amostras de solo, ressaltando a importância desse processo para a tomada de decisões assertivas no manejo agrícola.
Importância da Amostragem de Solo:
A fertilidade do solo desempenha um papel crucial no desenvolvimento das plantas, influenciando diretamente na produção agrícola. A aplicação indiscriminada de fertilizantes sem uma análise prévia pode resultar em desperdício de insumos, impactos negativos na colheita e elevado custo de produção, visto que segundo o IMEA (2024) a aplicação de fertilizantes corresponde a 24,4% do custo de produção da soja para a safra 23/24. Portanto, a amostragem de solo é o primeiro passo para entender as necessidades nutricionais da cultura e garantir uma rentabilidade adequada por talhão.
Os cuidados para uma boa amostragem de solo:
Para garantir a boa qualidade dessa amostragem, inicialmente deve-se escolher a metodologia para o planejamento da coleta, sendo as mais usuais a amostragem por gleba e também a amostragem por grid regular. A amostragem por gleba deve agrupar áreas homogêneas considerando características como cor, textura, relevo, histórico de manejo e vegetação anterior e segundo o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) sugere-se não delimitar glebas com áreas superiores a 20 hectares e também devem ser coletadas de 15 a 20 sub-amostras com um caminhamento em zig-zag a fim de garantir representatividade. Já a amostragem em Grid consiste em uma amostragem especializada de forma regular no talhão, esta amostragem se popularizou junto com a Agricultura de Precisão, pois facilita a visualização espacial dos nutrientes. Para ambas as metodologias, deve-se evitar coleta em locais próximos a fontes de contaminação, como casas, galpões e formigueiros.

Figura 1. Demonstrativo de metodologia de coleta de solo. Fonte: Santi et al. 2009
Após escolher a metodologia de amostragem, deve-se saber como fazer esta amostragem, para isso será necessário escolher a ferramenta adequada. A escolha da ferramenta é crucial visto que cada sub-amostra deverá ter o mesmo volume coletado a fim de garantir a mesma representatividade, ou seja, cada perfuração do solo deve resultar o mesmo volume de solo coletado.
No quesito ferramentas, as mais populares são o trado holandês, rosca e sonda. Porém, o trado holandês não se adequou à realidade das lavouras do centro-oeste, visto que não apresenta um bom rendimento operacional no momento da coleta. As roscas se tornaram uma ferramenta popular pela possibilidade de ser acoplada a um motor a combustão portal, porém esta apresenta um alto risco de contaminação das amostras quando coletado duas profundidades (estratificada), ou seja, amostra de 0 a 20 cm e de 20 a 40cm no mesmo ponto, conforme apresentado no estudo publicado por Molin (2023). Sendo então a sonda a melhor ferramenta, com menor risco de contaminação das amostras estratificadas.
O trabalho publicado em questão também faz o teste de uma sonda acoplada a um equipamento hidráulico, tornando o processo de coleta desse solo mais ágil, sem a necessidade de esforço físico e sem contaminação. A contaminação pode ser identificada quando os níveis em subsuperfície estão muito próximos do nível da camada em superfície.

Essa amostragem deve ser preferencialmente ser feita após a colheita da cultura e antes de realizar a aplicação de fertilizantes e corretivos a lanço, visto que os resultados seriam totalmente mascarados devido à alta concentração destes em superfície.
Figura 2. Tipos de amostra dos mais conhecidos. Trado holandês, rosca e sonda (da esquerda para a direita).
Após a coleta, todas as subamostras devem ser homogeneizadas em um recipiente e posteriormente deve-se armazenar este solo em sacos plásticos novos e identificados com o código do ponto e profundidade de coleta, deve ser utilizado sacos plásticos novos, pois qualquer resíduo de solo, matéria orgânica, fertilizante e outros materiais podem alterar o resultado da análise.
Deve-se escolher um laboratório certificado e de confiança, pois a extração dos nutrientes do solo é tão importante quanto a sua coleta. Com o laudo em mãos, consulte um Engenheiro Agrônomo para fazer a programação de correção e adubação do solo, que deve levar em consideração os níveis de fertilidade do solo, a cultura a ser cultivada e o potencial produtivo esperado.
Conclusão:
A amostragem de solo é a base para o manejo racional, econômico e sustentável dos solos. Ao seguir corretamente os procedimentos de coleta e análise, os agricultores podem tomar decisões informadas, promovendo a saúde do solo, aumentando a produtividade, rentabilidade e garantindo a sustentabilidade a longo prazo de suas operações agrícolas.

Marcello Franchi
Eng. Agrônomo especialista em máquinas e agricultura de precisão (ESALQ-USP)
Pesquisador e Consultor na empresa GeoMec
Referência Bibliográfica:
Análise de fertilidade do solo, como retirar amostra do solo. Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Disponivel em: < https://www.iac.sp.gov.br/produtoseservicos/analisedosolo/retiraramostrasolo.php>
SANTI, A. L. et al; É chegada a hora da integração do conhecimento. Revista Plantio Direto. v.109. 2009.
MOLIN, J. P. et al Eficiência e qualidade da amostragem do solo de acordo com a ferramenta de amostragem. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 27, n. 6, p. 480-486, 2023. Disponível em: < https://doi.org/10.1590/1807-1929/agriambi.v27n6p480-486>
Fonte/Créditos: Portal Agronosso - Marcello Franchi

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