A proposta de taxar as emissões de carbono do setor agrícola da Dinamarca gerou receio entre os agricultores nesta quarta-feira (21). Eles temem que isso os obrigue a cortar a produção e fechar as fazendas para atender às metas climáticas ambiciosas do país.
A Dinamarca, que exporta muita carne de porco e produtos lácteos, pode ser o primeiro país do mundo a aplicar um imposto sobre as emissões na agricultura. Essa ideia tem o apoio de muitos partidos políticos no país, depois que a Nova Zelândia adiou esse imposto para o final de 2025.
Um imposto sobre o carbono para os agricultores poderia ajudar a Dinamarca a cumprir seu objetivo legal de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 70% até 2030, comparado aos níveis de 1990.
Mas essa medida também implicaria em custos mais altos para os agricultores e, consequentemente, diminuiria a produção em até 20%, segundo um relatório de um grupo nomeado pelo governo divulgado na quarta-feira.
Um imposto de 750 coroas dinamarquesas (109 dólares) por milhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) emitidas seria o mais impactante. O grupo também avaliou impostos menores de 375 coroas e 125 coroas.
“Esses modelos se baseiam em algo muito frustrante, que é que a redução climática só pode acontecer pela redução da produção”, disse à Reuters, Peder Tuborgh, CEO da produtora de laticínios Arla Foods.
Tuborgh disse que as novas tecnologias ajudaram os 9.000 agricultores da Arla na Dinamarca, Suécia, Inglaterra, Alemanha e Benelux a reduzir as emissões em 1 milhão de toneladas nos últimos dois anos.
“Há um caminho de inovação”, disse ele. “Queremos continuar essa jornada, em vez de ter que encerrar nossa produção”.
A agricultura ocupa mais da metade das terras da Dinamarca e é responsável por cerca de um terço das emissões de carbono do país, de acordo com o grupo de reflexão dinamarquês sobre clima Concito.
O setor agrícola se tornou um campo de batalha político à medida que a União Europeia busca atingir sua meta de emissões líquidas zero até 2050. Os agricultores de todo o bloco protestam há semanas, dizendo que enfrentam custos e impostos maiores, burocracia e regras ambientais rigorosas.
Os cenários apresentados pelos conselheiros do governo reduziriam a produção agrícola entre 6% e 15%, com a produção de gado e porcos caindo cerca de 20% no cenário de tributação mais severo.
“Será bastante dramático se decidirmos seguir esse caminho”, disse Jais Valeur, CEO do maior produtor de carne de porco da Europa, Danish Crown, à TV2.
“É essencial incentivarmos nossos melhores agricultores a melhorarem, para que possamos liderar o caminho para uma transição sustentável”, disse ele.
($ 1 = 6,8948 coroas dinamarquesas)
(Reportagem de Isabelle Yr Carlsson, Louise Rasmussen e Stine Jacobsen; edição de Jacob Gronholt-Pedersen, Kirsten Donovan e David Evans)
Fonte/Créditos: Portal Agronosso/Reuters
Créditos (Imagem de capa): Arquivo Reuters

Comentários: