As exportações brasileiras de soja ganharam tração nas últimas semanas e consolidam abril como o mês mais forte da história em volume de comercialização. O movimento ocorre em meio a uma conjuntura favorável ao produtor brasileiro, marcada por valorização cambial, prêmios ainda positivos e sustentação das cotações em Chicago, mesmo em meio às incertezas da guerra comercial entre Estados Unidos e China.
De acordo com dados da Agrinvest Commodities, compilados pelo analista Eduardo Vanin, as compras chinesas superaram 60 embarcações nesta semana, todas originadas no Brasil — um marco expressivo para um único período e origem. “No ano passado tivemos semanas com mais de 60 barcos, mas divididos entre EUA e Brasil. Desta vez, o volume partindo somente do Brasil impressiona”, afirmou Vanin em live promovida pela consultoria.
Segundo o analista, abril é um mês estratégico para o produtor rural, tanto pela necessidade de liquidez para cumprimento de compromissos financeiros, quanto pela atratividade das condições de mercado. “O dólar elevado, os prêmios ainda em campo positivo e o alinhamento entre a necessidade do produtor e a demanda chinesa criaram uma espécie de tempestade perfeita”, afirma.
Na avaliação de Vanin, o comportamento dos produtores neste ano também reflete uma gestão mais eficiente do risco de comercialização. Diferente de anos anteriores, como 2022 e 2023, os sojicultores têm aproveitado oportunidades de mercado com maior precisão. Como resultado, estima-se que abril ultrapasse as 13,5 milhões de toneladas vendidas no mesmo mês de 2024. Somente nas duas primeiras semanas deste mês, as vendas superaram 10 milhões de toneladas.
O impulso adicional veio da melhora das margens de esmagamento na China, que ampliou sua capacidade de compra. Em abril, as vendas chinesas de farelo atingiram 2,2 milhões de toneladas — o dobro do volume de março —, aliviando a pressão sobre os estoques e abrindo espaço para novos negócios. O cenário também favoreceu as tradings, que conseguiram rentabilizar a originação.
“É raro ver produtor, comprador e trading satisfeitos ao mesmo tempo. Mas este é um desses momentos”, resume Vanin.
A forte movimentação já elevou o volume de soja da safra 2024/25 comercializado para próximo de 100 milhões de toneladas, de uma produção total estimada em cerca de 170 milhões, segundo o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. “Não só a safra atual está sendo bem vendida, mas também a próxima, o que é essencial para viabilizar a aquisição de insumos com boas relações de troca”, afirma.
Brandalizze alerta, no entanto, que a pressão sobre o custo dos insumos deve aumentar nos próximos dias, o que pode acelerar ainda mais as decisões de venda. “Semana que vem, os insumos devem subir. Quem encontrar boas oportunidades, deve aproveitar.”
Apesar do otimismo, os prêmios de exportação recuaram até 50 pontos base nesta semana, após atingirem as máximas da temporada. A queda ocorre em resposta ao forte volume de vendas e à expectativa de um possível avanço nas negociações entre China e Estados Unidos.
“O mercado começa a precificar uma aproximação entre Trump e Xi Jinping, mas não vejo um acordo iminente. A distância entre as partes ainda é significativa. Mesmo assim, os sinais recentes mantêm os preços sustentados acima de US$ 10,00 por bushel, com possibilidade de alcançar US$ 11,00”, diz Brandalizze.
O especialista pondera que, enquanto o contrato futuro avança em Chicago, os prêmios podem continuar sob pressão, exigindo atenção redobrada do produtor brasileiro para o timing das vendas. O cenário, no entanto, segue positivo, com o Brasil assumindo papel central no abastecimento da maior economia asiática em um momento-chave da safra.
Fonte/Créditos: Portal Agronosso
Créditos (Imagem de capa): Divulgação Internet

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